Tem uma cidade inteira lá fora, mas eu não consigo ignorar os laços que construo com as pessoas quando estou do lado de dentro.
Da varanda eu não vejo apartamentos, janelas, móveis, objetos, pessoas… eu vejo histórias. E de onde observo, elas são generosas porque me oferecem apenas um pedaço do que são e me permitem imaginar o resto. Elas me fazem me sentir tão pequena, mas não de uma maneira triste, como se eu não importasse, mas sim como se eu fosse parte de algo tão, tão maior.
Olho para cada rosto e penso que há uma vida inteira anterior a esse momento que eu não faço idéia do que foi. Como é que as pessoas chegam até onde estão? E a partir dali, para onde elas vão? Da varanda eu observo a vida acontecer.
E aprendo a confiar. Nenhum desses encontros, laços e olhares é aleatório. A vida é grande demais para que eles aconteçam sem que exista um porquê. Não busco respostas porque aprendi a respeitar os caminhos. Ainda que eu olhe e não veja o fim, eu espero, sem pressa, com a certeza de que meu caminho há de me encontrar.