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14

Apr

Up in the woods, down on my mind

She felt so out of place everywhere, like she couldn’t belong at all. It always just felt like she was in the opposite side of the road. She kept looking at everyone else and being overwhelmed by the feeling of disconnection.

She was still looking for her own definition of home. The one that existed didn’t fit her. 

09

Apr

Dancing days

She kept looking around, searching for it, craving it, missing it.

Ever since that time in which she had reconnected with it through him. In those bright nights they somehow were able to only see one another. Such a beautiful view. In those loud days they somehow were able to only listen to each other. What an incredible sound. She felt it. She felt it with every particle of her body. And it made her dance. Those were dancing days.

It had been a long time standing still, wishing to be moved. And right there and then life touched her skin again. 

03

Apr

Foreign Roads

It had been a year since they met at a city that didn’t belong to either of them. It had happened by chance, but for the second time they decided to do the same: it felt right.

She got off the plane in a city she’d never been before and looked around, not only looking for him, but for the newness of it all. She felt free, tasting the kind of freedom that was only possible in a foreign place, surrounded by unknown people and yet to be discovered places. And once again they were going to do it together: it felt right.

31

Mar

Travel as much as you can. It is a humbling and inspiring experience to learn just how much you don’t know.

Articles of faith

There was still music playing even though there was no more wine, only empty glasses on the floor. She was lying in his bed, eyes closed, a million thoughts. His hand was going through her hair and she suddenly opened her eyes, looked at him with a smile that could not be described and said “I miss speaking portuguese”. He laughed a gentle laugh. It came from a place he could never know. Not the language, the feeling. In his one-language-world there was no room for missing words, sentences, sounds, meanings. Then he stood in silence for a minute knowing that, recognizing it, but also being the man he was, which meant he had a soul she could connect to in ways far beyond understanding. His next sentence proved that: 

- Speak portuguese to me, let the words fill the room.


24

Jan

Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo.
Fernando Pessoa

No matter where in the world you are

3 semanas sem celular, sem tv e com internet só na escola. É uma sensação de desconexão com o mundo, como se a gente pudesse tirar férias não só do trabalho, mas da gente mesmo, do papel que a gente exerce na vida dos outros. Ao mesmo tempo estar longe oferece uma perspectiva do que realmente é importante e verdadeiro, do que realmente merece atenção, preocupação, energia, tempo, investimento.  É peneirar a vida e ver as pequenices de todo dia irem ralo abaixo. Olhando assim de longe, de fora, não há tempo a perder com o que não sobrevive a esse filtro.

O que sobra é tudo aquilo pelo qual eu agradeço. A toda essa distância o que eu vejo é uma família de verdade, amigos incrivéis, amor e cuidado me cercando por todos os lados e uma vida embrulhada pra presente.

As vezes é preciso vir tão longe para se apreciar o que se tem por perto.

14

Jan

In here the world won’t bring us down

Tem uma cidade inteira lá fora, mas eu não consigo ignorar os laços que construo com as pessoas quando estou do lado de dentro. 

Da varanda eu não vejo apartamentos, janelas, móveis, objetos, pessoas… eu vejo histórias. E de onde observo, elas são generosas porque me oferecem apenas um pedaço do que são e me permitem imaginar o resto. Elas me fazem me sentir tão pequena, mas não de uma maneira triste, como se eu não importasse, mas sim como se eu fosse parte de algo tão, tão maior.

Olho para cada rosto e penso que há uma vida inteira anterior a esse momento que eu não faço idéia do que foi. Como é que as pessoas chegam até onde estão? E a partir dali, para onde elas vão? Da varanda eu observo a vida acontecer.

E aprendo a confiar. Nenhum desses encontros, laços e olhares é aleatório. A vida é grande demais para que eles aconteçam sem que exista um porquê. Não busco respostas porque aprendi a respeitar os caminhos. Ainda que eu olhe e não veja o fim, eu espero, sem pressa, com a certeza de que meu caminho há de me encontrar.

This is my excavation

Durante um almoço em Lisboa, conversando com dois americanos, falávamos sobre as próximas cidades que iríamos visitar e falei sobre como esperava encontrar pessoas tão interessantes quanto encontrei em Lisboa. Na verdade, eu tinha medo de que depois de uma experiência tão boa por lá, eu estivesse fadada a me decepcionar por aqui.

Foi aí que eles me disseram que decidir morar um mês em outro país sozinha para aprender outra língua é uma experiência que por si só requer um certo tipo de pessoa: aventureira, divertida e corajosa, alguém realmente disposto a experimentar a vida.

Eu mesma nunca tinha pensado nisso dessa maneira porque pra mim isso tudo não foi uma decisão, foi a resposta que encontrei após um longo caminho, foi a vida cuidando de me colocar onde eu precisava estar no momento em que deveria estar. Estar aqui hoje é encerrar um ciclo que se arrastou até que eu estivesse pronta para vir e receber o presente que é descobrir um mundo tão maior do lado de fora.

E, sabe, um ainda maior do lado de dentro: gosto de me descobrir através do olhar fresco de quem me vê hoje, aqui, agora.

This music travelling around with me wherever I go

Naquele fim de tarde, andando pelos corredores do aeroporto de Lisboa a caminho do meu avião para Barcelona eu não pude deixar de sorrir ao vê-los serem gentilmente tocados pela luz do sol.

Estava ali uma história que sabe ter cumprido seu papel e agora vai me observar à distância enquanto eu sigo em frente: aquele era o fim de um capítulo que abria caminho para o próximo.

E eu não só me sentia pronta para dar mais esse passo adiante, como tinha essa sensação de liberdade dançando pelo meu corpo todo, como se eu realmente pudesse ser e estar onde eu quisesse a partir de agora. Olhei uma última vez pela janela para ter certeza de que eu levava toda a poesia de Lisboa dentro de mim.

Pelo Tejo vai-se para o mundo.